26 Março, 2008



Tenho livros e papéis espalhados pelo chão
A poeira de uma vida deve ter algum sentido
Uma pista, um sinal de qualquer recordação
Uma frase onde te encontre e me deixe comovido

Guardo na palma da mão o calor dos objectos
Com as datas e locais, por que brincas, por que ri
E depois o arrepio, a memória dos afectos
Que me deixa mais feliz

Deixa-te ficar na minha casa
Há janelas que tu não abriste

O luar espera por ti
Quando for a maré vasa
E ainda tens que me dizer
Porque é que nunca partiste

Está na mesma esse jardim com vista sobre a cidade
Onde fazia de conta que escapava do Presente
Qualquer coisa que ficou que é da nossa Eternidade

Afinal, eternamente...

17 Outubro, 2007

Footsteps


I got scratches all over my arms
One for each day since I fell apart

26 Julho, 2007

arquivo word ( ou profecias soltas)

“O Ódio é, sem dúvida alguma, o sentimento mais próximo do Amor”

*
Tu vês-me mas nunca me viste, nas partidas/chegadas. A minha inconstância assusta-me mais a mim que a ti, cheio de uma certeza que o amor dá. Como construir sonhos se um dia posso deitar tudo a perder, cega com isto que a vida fez de mim?
*

Gostas de ouvir os meus passos no corredor quando chego a casa. Tiras-me os sapatos insistentemente altos e o cansaço do dia acaba. Custou-me tanto chegar aqui…

*
Perdida. Perdi-me. Pior mesmo é o medo de te perder, essa inevitabilidade. O saber que há de haver um gesto errado para te afastar e nesse dia é de vez. É até nunca mais. Até o amor te mato. Deus me perdoe a crueldade que (me) inflinjo.

*
… lareiras acesas em casas de vidro sobre o mar, os gatos dormindo sobre almofadas…música a tocar na sala e o sol a entrar pelas janelas…eu a dançar para ti, contigo …o essencial (in)visível aos olhos (só não vê quem é cego)… eternamente responsável por aquilo que cativas… sempre mesmo para sempre…eu ser o que sou em vez daquela que aprendi a ser…


(Os sonhos quando se esfumam são trilhos que se apagam. I wish I know the way back)


*
Nunca gostei de dizer que não consigo fazer alguma coisa, de sentir isso. Mas os meus pensamentos, as minhas palavras, o meu discernimento é uma sucessão de Nãos. Não conseguir discernir, não conseguir fazer. Não conseguir deixar de antecipar o triste fim. Perder-te e chorar-te, e há-de ser ironicamente no dia que mais te amo. Porquê? Porque não consigo lutar contra isso.

(Abrigo-me nos teus braços, nos teus sonhos, no teu amor, em tudo o que é teu, “nosso”, com aspas e sem elas. Parecia-me impossível. Se não tivesse um lado tão globalmente triste, até tinha piada. Há dias em que tudo parece em paz, como se nada pudesse abalar os alicerces, como se nada nos rodeasse, nos complicasse, nos baralhasse, nos hesitasse ou nos doesse. Back to the real world, as decisões já foram eternas, os laços já deram nós
(e os nós na garganta, no estômago…nós no coração – eu e tu)

Mais um Não, de Não saber viver assim, mas desconfio que muitas vezes nem sei viver de todo…quem sabe soltos ficaremos melhor entregues ao destino – fica assim, longe, para que não morra de vez para ti, sozinha, a saber que fui eu quem o causou e que era Eu para ti e ninguém como tu para mim.

“ - Amo-te. Eu Amo-te. E custa-me tanto admitir isto. Dói tanto que assim seja.”

27 Janeiro, 2007

alter ego


Olha
Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura
O rosto da actriz
Se ela dança no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida

Olha
Será que é de louça
Será que é de éter
Será que é loucura
Será que é cenário
A casa da actriz
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida

Sim, me leva para sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz

Olha
Será que é uma estrela
Será que é mentira
Será que é comédia
Será que é divina
A vida da actriz
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se um arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida


Beatriz - Chico Buarque

28 Dezembro, 2006

Dualidade

Ouve-me. Sente-me.
(Sorri sempre...)
Lê-me...

...não apenas as letras.


Cada vez mais certeza.
Cada vez mais incerteza.

Cada vez mais instável.

Cada vez mais forte.

Cada vez mais longe.
Cada vez mais perto.
Cada vez mais dor.

Cada vez mais sonho.

Cada vez mais consciência.


Cada vez mais a última
de cada vez que volto
cada vez mais volto

Cada vez mais amor
(...Cada vez mais medo)

Cada vez mais eu.
Cada vez mais Tu.
Cada vez mais Nós.

27 Dezembro, 2006

("I remember the days when I was so eager to satisfy you...")
O erro não está nos timings.
Errada sou eu para ti. Tu para mim.

as coisas que fiz por gostar de te sentir bem… … …

22 Dezembro, 2006


If I wrote you a symphony
Just to say how much you mean to me
what would you do?

If I told you were beautiful
Would you date me on the regular
tell me, would you?

Well baby I've been around the world
But I ain't seen myself another girl
like you

This ring here represents my heart
But there is just one thing I need from you
say I do

Because, I can see us holding hands
walking on the beach, our toes in the sand
I can see us on the country side
sitting on the grass laying side by side

You can be my baby
Let me make you my lady
Girl you amaze me

Ain't gotta do nothin crazy
See all I want you to do is be my love
My love
My love
My love
Ain't another woman that could take your spot
My love
My love
My love

Now If I wrote you a love note
And made you smile with every word I wrote
what would you do ?

Would that make you wanna change your scene
And wanna be the one on my team

tell me, would you ?

See what's the point in waiting anymore
Cause girl I've never been more sure
that baby it's you
This ring here represents my heart
And everything that you've been waiting for
Just say I do
all I want you to do is be my love
My love
My love
Ain't another woman that could take your spot

My love.... My love... My love ...

My Love - Justin Timberlake

11 Dezembro, 2006

I'm so tired of playing
Playing with this bow and arrow
Gonna give my heart away
Leave it to the other girls to play
For I've been a temptress too long...
Give me a reason to love you
Give me a reason to be... a woman
I just wanna be a woman

Portishead – Glory Box

Contigo abandonei a personagem e não me deste a razão, mesmo assim. Dás-me os motivos com força maior que a minha para mudar – mudo eu, mudas tu de lugar em mim. Não restarão rosas, nem espinhos, nem nada.
Nervosa estive mais feliz. Deixas-me triste agora, despistada na curva onde o sono foi tranquilo. Deixas-me sem respostas. Descubro as que não queria.

07 Dezembro, 2006

- os meus reflectem a tua
ausência.

28 Novembro, 2006

Falling

Falas-me de páginas viradas e marcadas. De enredos, de
personagens apaixonadas, outras ocultadas. Do difícil, provável fim de livro onde nos encontraríamos ao sinal das incertezas e do risco. Da vontade.


Falas-me do Tempo, dos seus estragos, suas sabedorias, suas mudanças, (a dádiva, o mais por menos, o mesmo por mais). De dias passados, dos sentimentos presentes. Disseste-me tudo a seu tempo, sempre. Que há tempo, com tempo. Ainda é tempo? - o tempo é de libertação de dúvidas. Fecha o melhor de nós numa caixinha secreta, onde me guardas a essência, esquecidos dos sonhos, sim?

***

Às vezes, tenho fúrias e convicções com que te encerro o capítulo. É que tornou-se quase mais fácil dizer Não, pela força do hábito. Mas a verdade, por o ser, continua válida.
Tento.
Não deixar/precisar/querer que me alcançes, que me vejas como só tu, a menina à janela com o seu cabelo à lua e ao sol de Inverno ao meio-dia.
Tentas.
Que a música se misture, se perca pouco a pouco, para não saberes onde começou ou o que muito mais significa.
Depois ficas imóvel a observar-me e é mais forte.
“ - Qual foi dos Amo-te o que não ouviste?”
(Espanto-me. Oiço-te agora claramente sem o som cruzar o ar. Por isso, não me olhes assim, nem me faças perguntas a que não sei responder. Acho que não sou capaz. Deixa que parta -Eu.Amor.TUdo se parte(iu/irá/iria) à nossa volta.)
Aquela palavra contém o abismo.

20 Novembro, 2006

Be still, my heart...


I know someday
you'll have a beautiful life,
I know you'll be a star
In somebody else's sky,

but why, why, why
Can't it be, can't it be mine ?

Pearl Jam - Black

we belong together

02 Outubro, 2006

Queria viver tudo, sentir tudo, dizer tudo. Desta vez falhei, convosco e comigo. Já me perdi. Já vos perdi. Ao fazer isso (vou mesmo fazê-lo) vai doer a todos, cada um à sua maneira. A verdade às vezes faz-nos felizes, noutras é mais uma queda a pique. No fim, quem cairá mais serei eu. Aceito a consequência. Sem merecer, mereço mesmo.
(Vou voltar ao meu caminho. Mesmo sózinha, serei eu. Pura e honesta. Desculpa. A ignorância é uma benção com que não pactuo mais.)

07 Junho, 2006

Catarsis

Sexo. Só sexo. "Sexo é só sexo", disseram-me.
Em sexo, o teu sexo o teu jeito de fazer amor mesmo que sexo seja só sexo, para que eu consiga que sexo o seja só, para que a distância seja maior. Para me pôr ao longe de ti, intransponível em ti colados perto deslizando no calor húmido de suores e seivas, do interior das coxas que achaste.
Não consigo. Tenho-te em mim e não te tenho. Sentir-te, oceano de fúrias nada mergulha para não seres mais nada em mim. Hoje és muito ainda. Sexo é só sexo? Acredito nisso?
...
Vejo-te as mãos, as unhas mal-cuidadas, talvez roídas em nervoso. Na memória da pele sinto-te os dedos, os círculos, os sons do sexo para mim não só sexo que te dei, nos demos e sentimos.
Passas os olhos, um relance verde-futuro. Desinteressas-te. Não te interesso. Desinteressante. Tensão morta como eu, que sorrio e falo cheia de vida.
Mentirosa. Falsa. Qual alegria? Qual segurança? Qual força? Deixa-me chorar até me acabar. Sexo foi só sexo. Sabes lá tu o que é dor, o que são facas no peito, o teu gume na minha carne. Foste-me feito de silêncios, não nos conhecemos as palavras apesar do que me lês. Saberias lá tu lidar comigo. You can't handle me. Não me aguentas. Insuportas-me.
Para quê falares-me por uma vez cheio de adjectivos em datas inconsoláveis? Frases sem alma onde cabem dicionários sem significados. Qual o significado dos momentos, de eu ter tremido, engasgado para te contar do teu, do que foste, do que és, do que sempre serás?
Qual o significado do que ficou por dizer, de dizeres que restaria muito tempo para o fazer?
O tempo esgotou-se no impossível, no orgasmo de duas voltas que nunca aconteceu enquanto o acontecias ("tudo o que usas dá duas voltas?" - o cinto, as sandálias, a lingerie). Só línguas em voltas, ancas flancos sexos mais que sexo, o meu cabelo orgulhosamente comprido que agarraste. Humildemente serva sorvi-te quanto quando pude. Nem me usaste as voltas. Só me deste a volta. Uma volta. Sem esperares. Sem quereres. A culpa não é tua.
Nunca mais o teu beijo. Mataste-me a ires embora, vir(es-te-me) cá dentro, viagem curta das músicas no teu carro ("...um raio de sol pra iluminar"). Um dia de sol hoje cinzento. Eu em cima da minha cama (Qual alegria? Qual segurança? Qual força?) . Outra cama desfeita para trás. Não a deixei para trás, em cima dela, eu em cima de ti, da cama, em cima de mim tu.
Incontável revi-a. Revejo-a. Revejo-te ali. O que não vi logo, talvez porque os anjos não as têm, foi as costas que tão facilmente como o fui para ti me viraste. Mas tinhas os ombros largos, lembro-me. Se assim é, tu não és angel (?...) - sabes que és, apesar do que rejeitas, dos sonhos que para mim guardo.
(Não amor mas muito mais que corpo. Muito mais do que podia. Os anjos não têm sexo por isso não vale a pena discuti-lo, mas nós fomo-lo (banalidade, odeio a palavra) e ser só isso eu não posso. Continuo sem conseguir às vezes.)
Não me percebes, pois não?

15 Maio, 2006

Giving you up

Abro-te o coração. Para ti as letras estão descodificadas. “Se há alguém que pode compreender isso és tu” – disse-te.

Penduro-me no teu pescoço, imponderada, embriagada como nunca antes, corpo e alma (tu nela, angels, dreams e mensagens claras e sóbrias). Mesmo com os braços à tua volta ( how I wish I could kiss you so softly), repetindo a corrente de palavras (tinha mesmo que o fazer, último esforço das forças), não consigo chegar a ti, puxar-te o carinho. Não escutas, sentidos ausentes da verdade superior dos laços que nos guiaram. Estou um murmúrio inaudível, sem eco no teu interior.
Este silêncio indiferente esmaga, o gesto que não tens é lâmina que me vai sangrando finamente. Tenho a sensação de vertigem contigo na cabeça
- não sais, não vais, apesar do vazio deixado.

És porta fechada sem janelas alternativas para abrir. Percebo-te a renitência, a interpretação da personagem que me julgaste…mas a única coisa que precisava realmente era que soubesses quem Sou. Só isso.

Tentei tanto, lutei POR MIM, na distância a que nos pusemos…
Hoje acabei o caminho, incapaz de percorrer o inexistente, nem de inventá-lo mais.
Hoje, de mãos atadas e continuamente presa, é o dia triste em que
desisti de te alcançar…

18 Abril, 2006

BANALIDADE (?)


Ela a pairar no ar, a adiar cair na realidade mostrando pessoas que são e que foram, o que fica e o que muda e que nada mais será como antes ‘cause every action as a reaction.

Ela a fingir que o coração não é um lugar complexo. A fazer-se forte, prática e adulta. A responder-lhe sim, claro que estou bem, a sério, não tens que te preocupar. It was all about choices.

Ele a dizer não quero que penses erradamente, tenho-te como especial, acho que nunca te tinha dito, sabes que não minto e fazer-te sentir assim é importante para mim e ela queria tanto acreditar mas no fundo não passam de frases feitas proferidas sem verdade. Things are what they are, it’s the way it works.

Ela inundada pela sensação de tudo ser completa banalidade. Ela a rejeitar ser o que nunca fora, banal. Ela incapaz de o tornar, a ele, também banal. Ela a querer mais uma vez para o encerrar em definitivo banal.

Ele com assuntos pendentes a dizer talvez, não posso dizer sim, não posso dizer não, nem eu percebo bem, não posso ser mais sincero, não posso ser mais directo, não posso dar respostas mais concretas agora, só por isso não falo, não digo, não entro para já neste jogo agressivo, não te queixes depois se for intensivo.

Ela a desesperar-se no que escreve, cria, imagina e descontrola. Ele alheio, apagado noutra esfera resolvida a girar. Ela a enfrentar a vida e o tempo que corre sem esquecer.

Ela ainda a desejar porque o sentimento é banal. Ou então não é, e são mais do que banalidade e foram mais do que uma banalidade e poderiam estar mais que apenas cordiais, hoje que são inocentes, e não ele, único, a passar-lhe nas costas sem falar, como quem não vê.

Sempre distantemente banal com a palavra… essa palavra gasta de se repetir em Caps Lock na mente
BANALIDADE
BANALIDADE
BANALIDADE

the word is still there, but it’s okay now, she knows she was the one who pushed the limits.
No regrets and no hard feelings.
It’s all right. Or maybe she’s just lying to herself again…

30 Março, 2006

29 de Março
Dois anos depois e a data continua no calendário, com a ausência a magoar a memória 365 vezes. Tentei tirá-lo, riscá-lo, rasgá-lo, arrancá-lo, despedaçá-lo, apagá-lo, bani-lo, ao dia maldito, à noite em que corri cega de lágrimas, sem querer acreditar

"é mentira é engano

não não não
por favor não
Deus
Pai
Irmãos de Luz
Por favor
vida
seja como for, um pouco de
Vida
apenas um pesadelo e não não não consigo acordar
ficarei, nem que o percurso seja difícil
não não não mentira engano não mentira não não
nem que os teus passos não existam
nem que tantas voltas ao mundo pra te ajudar
para te salvar
1000 terapias
1000 meses
1000 promessas
1000 anjos
mentira mentira não mentira não
meu amor, amor, minha Vida
Vida não vás
faço tudo
juro tudo
luto tudo
troco tudo
troca comigo
só imploro
vida
vida
vida"

mentira pesadelo mentira, verdade …o fio de esperança tornado fio de navalha na minha garganta. Morro...sem vida...TU...sem vida...EU...sem vida...
sem.........vida...
sem vida...sem vida caio sobre os vidros espalhados por ali, a gritar o teu NOME e perguntar ao céu PORQUÊ.

(Hoje como sempre, Para Sempre…Amo-te. tua pequenina)

08 Dezembro, 2005

"will you?"

some people say I should let you go, but I just can't, I'm unable to do so even if I wanted to...
I miss you more than any words can say...love you more than any tears can show.


Some days it get's harder to take it, having to see life as it is now - without your steps by my side, without your smile to make me smile, too.


An angel said "I'll always be around",

WILL YOU?